Jorge Palma - À Espera Do Fim

À Espera Do Fim

Jorge Palma
Acto Contínuo (2 de 2)

Vou andando por aiSobrevivendo á bebedeira e ao comprimidoVou dizendo sim á engrenagemE ando muito deprimido

E é dificil encontrar quem o não estejaQuando o sistema nos consome e aleijaTrincamos sempre o caroçoMas já não saboreamosA cereja

Já houve tempos em que eu tinha tudoNão tendo quase nadaQuando dormia ao relentoOuvindo o vento beijar a geada

Fazia o meu manjar com pão e uvaFazia o meu caminho ao sol ou á chuvaAo encontro da mão miúdaQue me assentavaComo uma luva

Se ainda me queres venderSe ainda me queres negociarIsso já pouco me interessaPerdemos o gozo de viverEu a obedecer e tu a mandarOs dois na mesma triste peçaOs dois á espera do fim

Tu tens furtuna e eu nãoPodes comer salmão e eu só peixe miúdoMas temos em comumO facto de ambos vermos vida por um canudo

Invertemos a ordem dos factoresPusemos números á frente de amoresE vemos sempre a preto e branco o programaQue afinal é a cores

Se ainda me queres venderSe ainda me queres negociarIsso já pouco me interessaPerdemos o gozo de viverEu a obedecer e tu a mandarOs dois na mesma triste peçaOs dois á espera do fim

Só á espera do fim